Segunda-feira, 2 de Julho de 2007

A Festa dos Tabuleiros

A cidade já fervilha, mesmo à distância, já dá para sentir este je ne sais quoi que nos põe assim "contentes"... sim, é esta a sensação! E sei que quando chegar a Tomar, serei totalmente contagiada, se ainda alguma célula em mim estiver por contagiar. Uma das curiosidades da festa, e que decerto contribui em parte para isto, é o facto de acontecer apenas de quatro em quatro anos. Quando andei a pesquisar sobre a festa, e das várias entrevistas que fiz, duas explicações pareceram-me válidas: uma é que um ano é o tempo que demora a ser preparada, produzindo-se manualmente centenas de tabuleiros e quilómetros de flores de papel… e depois, como é uma festa feita pela população, quatro anos é o tempo certo para apagar as pequenas divergências que possam surgir com os “nervinhos” para que tudo corra na perfeição (e vá ao encontro da tão aclamada "tradição"…). Se a festa acontecesse todos os anos, provavelmente este gosto desvanecer-se-ia e passava-se a uma produção em série, o que não acontece, pois é motivo de convívio prazeiroso: as mãos das vizinhas habilidosas juntam-se, tardes e serões a fio, para criar as flores que vão enfeitar as suas ruas, pátios e janelas.
Quando tento descrever esta festa a um estrangeiro que não tem a menor ideia do que possa ser, lá me desdobro, e invariavelmente surge o arrepio quando chega a parte de explicar o ponto alto da festa: os tabuleiros são pousados na praça, onde são benzidos. Estamos no mês de Julho, o calor é abrasador, mas onde anda o aguadeiro? Entretanto, um morteiro estrondoso é o primeiro sinal para os pares, que por ali descansam, correrem para os seus tabuleiros. O silêncio instala-se na praça. De seguida vão soar três badaladas do sino da igreja: à primeira preparar, à segunda baixar e à terceira… e à terceira, e de uma só vez, levantam-se seiscentos tabuleiros, provocando uma verdadeira festa dos sentidos: um êxtase de cores, o silêncio é interrompido por uma estrondosa salva de palmas, há olhos molhados, lábios que se apertam, nós nas gargantas que se tentam disfarçar à medida que o cortejo segue e a banda filarmónica reata…
publicado por Branca às 15:43
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2 comentários:
De panamá a 4 de Julho de 2007 às 12:07
Pronto, arrepiaste-me! Minha jóia, acho que descreveste na perfeição o que se deve sentir e impregnaste uma curiosidade louca a quem não conhece e, depois de te ler, quer imenso sentir! Muitas beijocas e parabéns, por escreveres tão bem e com tanta emoção! Vivós tabuleiros!!!!!!!!!! Vivaaaaaaaaa!!!!
De Branca a 5 de Julho de 2007 às 12:07
Sim, esta festa é realmente singular!! Conto convosco?

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