Terça-feira, 25 de Novembro de 2008

Turismo sexual

Esta noite sonhei que um dos nossos cães tinha sido encontrado morto, espalhado aos bocados pelo jardim. Acordei angustiada, e assim fiquei até agora, altura em que a minha mãe apareceu no MSN.

Branca diz:
Mãe, ainda bem que aí estás! Como está o
cão?
Mãe diz:
Está a cobrir uma cadela em casa de um amigo do pai. Foi no Sábado passado e acho que vem este Sábado...


Por mais que me esforçasse, não me lembraria de sorte maior.
publicado por Branca às 15:52
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Quinta-feira, 20 de Novembro de 2008

Memórias

Na sequência do post anterior:

publicado por Branca às 12:25
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Quarta-feira, 19 de Novembro de 2008

A Velha Casa

Bebemos duas sangrias cada uma no Largo do Chafariz de Dentro e subimos a Rua dos Remédios. De uma janela do edifício da Junta de Freguesia acreditámos ouvir gritos dolorosos de uma mulher a parir um filho.

À porta, um homem convidou-nos a assistir a uma encenação de um texto de Luiz Pacheco, a Velha Casa. Explicou que a cada meia hora, iniciavam uma nova sessão, em que a acção decorria ao mesmo tempo em cada uma das divisões da casa: a sala dos reposteiros verdes, a cozinha, o quarto da mãe, o quarto da criança e a casa-de-banho.

Já passava um minuto das 9h30 quando entrámos, e por isso não tivemos escolha, fomos conduzidas rapidamente para a última divisão. A porta fechou-se e vimo-nos num cubículo de quatro metros quadrados de tecto baixo, sem janela, húmido e quase sem luz. Um casal estava já sentado, num banco corrido que ia do bidé à sanita.
Em frente ao lavatório estava um rapaz moreno de belo porte, de toalha enrolada à cintura.

Olhava-se fixamente ao espelho, besuntado de aftershave, deixando no ar um cheiro abafado e doce, que chegava a enjoar. Falava alto e a sua voz ressoava nas estreitas paredes fazendo estremecer os nossos corpos. Tão perto que estávamos, conseguíamos ouvir a respiração de cada um, provocando-me aquela exiguidade um incontrolável acesso de riso. Tentei domá-lo, mas sentia demasiadas cócegas por dentro. Calou-me o riso o momento de maior exaltação do texto, em que o esbelto rapaz trepou num ápice para o rebordo da banheira, caindo-lhe a toalha no chão. E não foi a infirmação da teoria da proporção divina que me deixou atónita, mas antes a imposição da nudez tão próxima entre desconhecidos, de forma totalmente inesperada. Também me tocou o monólogo interior sofrido, de alguém mais velho que regressa à casa onde cresceu, e depara-se com o vazio de gente, ausência dos cheiros, dos objectos, dos sons, das conversas. O confronto doloroso com a degradação física da casa, hoje abandonada.

Quisemos ver a peça sob outra perspectiva, deixando-nos ficar para a sessão seguinte: na cozinha. Aí estavam mais pessoas a assistir. O mesmo texto, outra personagem, a cozinheira. Na fila de trás, os risinhos incontrolados denunciavam o nervosismo da proximidade, quase interactividade, entre público e “palco”. Temi pelos seus corações, caso fossem à casa-de-banho...
publicado por Branca às 18:24
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Quarta-feira, 12 de Novembro de 2008

O fim da Jackie O'

Ontem fiquei sem os meus óculos de sol. No espaço de 3 meses, tive dois pares de óculos absolutamente iguais - modelo Jackie O. Os primeiros, comprei-os no aeroporto de Madrid, depois de muita hesitação. Não eram baratos e não fazia ideia de quanto iria gastar naqueles 15 dias de férias, mas pensei que seria melhor comprar no aeroporto, deduzindo ser menos caro do que lá fora. Lá me deixei convencer: - Se os estimares duram muitos anos e nos olhos não se pode usar qualquer coisa. - Sim, tens muita razão. Preciso realmente de uns e estes são a minha cara. Uma semana.
Foi quanto me duraram. Tomei um comprimido para o enjoo antes de entrar num barco que ia atravessar umas boas milhas do mediterrâneo a uma velocidade estonteante. Drunfada que estava, lá deixei os óculos dentro da caixa, com o lencinho. Ofereci o presente completo possivelmente à grega platinada que vendia batatas fritas e arrumava os passageiros. Na altura fiquei inconsolável. Como águas passadas não movem moinhos, e eu precisava de uns óculos de sol, voltei a comprar um par igual assim que cheguei a Atenas, mas mais baratos. Rei morto, rei posto. Tentei esquecer esse episódio triste.
Até ontem. Deixei-os na mezzanine à hora de almoço. Quando voltei do café, os óculos tinham levado sumiço. Fiquei intrigada, perplexa, e depois irritada, muito irritada. Tinha a certeza que os tinha deixado lá. E quem lá almoçou também os tinha visto. Irritada por ter sido roubada. Basicamente isso. Por alguém adulto. E mais não quero supor.
Cheguei a casa cansada e consumida. As palavras de consolo amoleceram-me.
Hoje acordei a pensar que ando a clonar Jackie O's por esse mundo fora. A espalhar estilo e glamour. Deve ser essa a minha função na terra...
publicado por Branca às 11:15
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Sexta-feira, 7 de Novembro de 2008

Ganas de dançar

Nigel Van Wieck







Itzhak Perlman - Scent Of A Woman: Tango

publicado por Branca às 15:32
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Quinta-feira, 6 de Novembro de 2008

Mezzanine

Durante a semana, por vezes almoço numa mezzanine, que tem ligação para um laboratório branco, moderno, asséptico, ainda por estrear. Aquele espaço recôndito foi adaptado a sala de almoço, com um micro-ondas e um frigorífico. Há já uns dias que os meus taparweres dividem prateleira com uma série de tubos de ensaio, que reservam um líquido vermelho de cor escura. Hoje a fileira de tubos foi pousada em cima da mesa, ao lado da minha salada. Olhei de soslaio e perguntei na negativa: Não é sangue, pois não? - É! Mas isto está hermeticamente vedado! Olha este! E tirou um tubo de ensaio com diferentes camadas, várias tonalidades de vermelho. Fez-me lembrar o azeite separado da água. E a professora explicou: Esta solução aquosa é o plasma, aqui são os meus glóbulos vermelhos, estes são os brancos e aqui as plaquetas. Giro, não é? - Muito... A salada deixou de saber-me bem, imaginei-a com um travo a ferrugem, sarapintada de vinagre balsâmico, que não era vinagre balsâmico...
publicado por Branca às 17:33
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Done!

publicado por Branca às 11:43
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