Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2007

Cor de Siena



publicado por Branca às 15:17
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Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2007

Sign the Petition

http://www.petitiononline.com/naoasae/petition.html
publicado por Branca às 17:53
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Eles estão doidos!

(Porque não escreveria melhor, cá vai)

Por António Barreto

A MEIA DÚZIA DE LAVRADORES que comercializam directamente os seus produtos e que sobreviveram aos centros comerciais ou às grandes superfícies vai agora ser eliminada sumariamente. Os proprietários de restaurantes caseiros que sobram, e vivem no mesmo prédio em que trabalham, preparam-se, depois da chegada da "fast food", para fechar portas e mudar de vida. Os cozinheiros que faziam a domicílio pratos e "petiscos", a fim de os vender no café ao lado e que resistiram a toneladas de batatas fritas e de gordura reciclada, podem rezar as últimas orações. Todos os que cozinhavam em casa e forneciam diariamente, aos cafés e restaurantes do bairro, sopas, doces, compotas, rissóis e croquetes, podem sonhar com outros negócios. Os artesãos que comercializam produtos confeccionados à sua maneira vão ser liquidados.

A SOLUÇÃO FINAL vem aí. Com a lei, as políticas, as polícias, os inspectores, os fiscais, a imprensa e a televisão. Ninguém, deste velho mundo, sobrará. Quem não quer funcionar como uma empresa, quem não usa os computadores tão generosamente distribuídos pelo país, quem não aceita as receitas harmonizadas, quem recusa fornecer-se de produtos e matérias-primas industriais e quem não quer ser igual a toda a gente está condenado. Estes exércitos de liquidação são poderosíssimos: têm Estado-maior em Bruxelas e regulam-se pelas directivas europeias elaboradas pelos mais qualificados cientistas do mundo; organizam-se no governo nacional, sob tutela carismática do Ministro da Economia e da Inovação, Manuel Pinho; e agem através do pessoal da ASAE, a organização mais falada e odiada do país, Mas certamente a mais amada pelas multinacionais da gordura, pelo cartel da ração e pelos impérios do açúcar.
EM FRENTE À FACULDADE onde dou aulas, há dois ou três cafés onde os estudantes, nos intervalos, bebem uns copos, conversam, namoram e jogam às cartas ou ao dominó. Acabou! É proibido jogar! Nas esplanadas, a partir de Janeiro, é proibido beber café em chávenas de louça, ou vinho, águas, refrigerantes e cerveja em copos de vidro. Tem de ser em copos de plástico. Vender, nas praias ou nas romarias, bolas de Berlim ou pastéis de nata que não sejam industriais e embalados? Proibido. Nas feiras e nos mercados, tanto em Lisboa e Porto, como em Vinhais ou Estremoz, os exércitos dos zeladores da nossa saúde e da nossa virtude Fazem razias semanais e levam tudo quanto é artesanal: azeitonas, queijos, compotas, pão e enchidos. Na província, um restaurante artesanal é gerido por uma família que tem, ao lado, a sua horta, donde retira produtos como alfaces, feijão verde, coentros, galinhas e ovos? Acabou. É proibido. Embrulhar castanhas assadas em papel de jornal? Proibido. Trazer da terra, na estação, cerejas e morangos? Proibido. Usar, na mesa do restaurante, um galheteiro para o azeite e o vinagre é proibido. Tem de ser garrafas especialmente preparadas. Vender, no seu restaurante, produtos da sua quinta, azeite e azeitonas, alfaces e tomate, ovos e queijos, acabou. Está proibido. Comprar um bolo-rei com fava e brinde porque os miúdos acham graça? Acabou. É proibido. Ir a casa buscar duas folhas de alface, um prato de sopa e umas fatias de fiambre para servir uma refeição ligeira a um cliente apressado? Proibido. Vender bolos, empadas, rissóis, merendas e croquetes caseiros é proibido. Só industriais. É proibido ter pão congelado para uma emergência: só em arcas especiais e com fornos de descongelação especiais, aliás caríssimos. Servir areias, biscoitos, queijinhos de amêndoa e brigadeiros feitos pela vizinha, uma excelente cozinheira que faz isto há trinta anos? Proibido.
AS REGRAS, cujo não cumprimento leva a multas pesadas e ao encerramento do estabelecimento, são tantas que centenas de páginas não chegam para as descrever. Nas prateleiras, diante das garrafas de Coca-Cola e de vinho tinto tem de haver etiquetas a dizer Coca-Cola e vinho tinto. Na cozinha, tem de haver uma faca de cor diferente para cada género. Não pode haver cruzamento de circuitos e de géneros: não se pode cortar cebola na mesma mesa em que se fazem tostas mistas. No frigorífico, tem de haver sempre uma caixa com uma etiqueta"produto não válido", mesmo que esteja vazia. Cada vez que se corta uma fatia de fiambre ou de queijo para uma sanduíche, tem de se colar uma etiqueta e inscrever a data e a hora dessa operação. Não se pode guardar pão para, ao fim de vários dias, fazer torradas ou açorda. Aproveitar outras sobras para confeccionar rissóis ou croquetes? Proibido. Flores naturais nas mesas ou no balcão? Proibido. Têm de ser de plástico, papel ou tecido. Torneiras de abrir e fechar à mão, como sempre se fizeram? Proibido. As torneiras nas cozinhas devem ser de abrir ao pé, ao cotovelo ou com célula fotoeléctrica. As temperaturas do ambiente, no café, têm de ser medidas duas vezes por dia e devidamente registadas. As temperaturas dos frigoríficos e das arcas têm de ser medidas três vezes por dia, registadas em folhas especiais e assinadas pelo funcionário certificado. Usar colheres de pau para cozinhar, tratar da sopa ou dos fritos? Proibido. Tem de ser de plástico ou de aço. Cortar tomate, couve, batata e outros legumes? Sim, pode ser. Desde que seja com facas de cores diferentes, em locais apropriados das mesas e das bancas, tendo o cuidado de fazer sempre uma etiqueta com a data e a hora do corte. O dono do restaurante vai de vez em quando abastecer-se aos mercados e leva o seu próprio carro para transportar uns queijos, uns pacotes de leite e uns ovos? Proibido. Tem de ser em carros refrigerados.

TUDO ISTO, como é evidente, para nosso bem. Para proteger a nossa saúde. Para modernizar a economia. Para apostar no futuro. Para estarmos na linha da frente. E não tenhamos dúvidas: um dia destes, as brigadas vêm, com estas regras, fiscalizar e ordenar as nossas casas. Para nosso bem, pois claro.
«Retrato da Semana» - «Público» de 25 de Novembro de 2007
publicado por Branca às 17:16
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Esteban Device

www.estebandevice.com
Convido-vos a ouvi-los, e confirmem-me por favor se são tão envolventes e docemente melancólicos como creio serem, ou se penso assim porque o baixista é meu amigo... Recomendo Sépia.
publicado por Branca às 12:11
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Terça-feira, 11 de Dezembro de 2007

Um bom click

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publicado por Branca às 14:55
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Sexta-feira, 7 de Dezembro de 2007

You have killed me




publicado por Branca às 16:43
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Quinta-feira, 6 de Dezembro de 2007

A saudade é tão portuguesa como a ginginha

Ontem o meu coração Erasmus acordou. Tive o prazer de jantar com duas gregas, uma cipriota e um maltês. A comunicação fez-se em inglês, como seria de supor, mas os rápidos apartes eram entre elas as três em grego, entre mim, o maltês e a grega Eleni em italiano. Antes do jantar, fomos brindar as duas ao nosso reencontro. Levei-a a uma tasca gordurosa com três mesas, seis cadeiras, forrada de alto a baixo a azulejos. Mas expliquei que a ginginha, uma bebida tradicional, ali é da boa e onde, por coincidência ou não, tenho lá ido comemorar bons motivos, tal como no dia em que acabei o curso ou quando contei às minhas amigas que ia viver com o meu moreno. O que nós nos rimos, quando descobrimos à segunda ginginha que na Grécia se fazia exactamente o mesmo licor com aquele "fruto parecido com a cereja". Mais tarde ao jantar, acompanhados pela Marisa a cantar no cd, a cipriota perguntou-me qual o significado do fado para nós. Expliquei-lhe que estava associado à saudade esse sentimento tão português, "sem tradução em mais nenhuma língua". Mas em grego existe uma palavra para dizer saudade e em maltês também, garantiram. E todos deram a mesma explicação, a saudade e a relação com o mar, as partidas e os regressos...
publicado por Branca às 10:41
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Quarta-feira, 5 de Dezembro de 2007

Cantorias internas

publicado por Branca às 14:50
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Óμορφος

Caminhávamos lentamente, de praça em praça, aproveitando cada minuto da última noite juntos. Até que inevitavelmente chegámos ao fim do caminho, um lugar em que cada um seguia para sua direcção. E de olhos pequeninos e em movimentos apressados despedimo-nos com um "até breve", falado e um "nunca mais vos vejo...", pensado. Merda.
Quatro anos passaram, com a proliferação das low costs e a banalização das idas e vindas, a Grécia hoje não me parece assim tão distante.
Ontem, enquanto ajudava a mudar uma lâmpada, segurando num globo de vidro, tocou-me o telefone. Disse em tom sentido: "É uma grande amiga com quem não falo há quatro anos". O globo flutuou ou talvez por precaução foi-me retirado das mãos. Não sei.
Hoje é dia de matar saudades, que não se matam por postal ou por e-mail, só com um forte abraço, de saber o que faz agora (veio para a Cimeira U.E.- África. Em Itália gostava de fotografar a malta. Será fotógrafa? Jornalista? Intérprete?...), de saber como está, onde vive. Espero com impaciência o final da jornada...


"e ritorno da te


senza niente da dire,


senza tante parole


ma con in mano


un raggio di sole per te"

publicado por Branca às 12:00
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Terça-feira, 4 de Dezembro de 2007

Hymne à L'Amour

publicado por Branca às 16:40
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