Sexta-feira, 20 de Julho de 2007

Núndinas*

Se levantar-me cedo ao Sábado de manhã para ir ao mercado é sinal de que estou a ficar mais velha, então assumo: estou finalmente crescida. E mais, tenho prazer nisso. Gosto de dar uma espreitadela pelas bancas, ver a sardinha prateada, o espadarte, e a lula a ser amanhada, as nabiças e a fruta da época, as uvas já são docinhas? - São mel, meu amor. Ora prova!

Reconheço nos mercados várias qualidades, considerando serem espaços vitais urbanos: por um lado, são espaços de encontros, de socialização, por outro, comercializam-se alimentos frescos de franca qualidade e por isso, saudáveis, promovendo concumitantemente um tipo de comércio mais tradicional e que dá oportunidade não só aos pequenos comerciantes, como também aos pequenos produtores de conseguirem escoar os seus produtos.

Há um mercado que, pelas suas características, é um exemplo a considerar, principalmente para "quem faz cidade", e que é impossível não se gostar de imediato. É ele o Mercado do Campo di Fiori, em Roma. Não é um mercado particularmente grande, mas é um dos mais antigos da capital. Situa-se numa praça acolhedora, emoldurada por esplanadas, ocupadas de manhã à noite, ali se está para o pequeno-almoço mas também para bebericar o Campari ou o Martini. Mas antes das esplanadas se fixarem, já o mercado se fazia, daí o seu nome: campo das flores. Bem no centro da praça, montam-se as bancas da fruta e verduras, do peixe, da carne e das flores. Trata-se de um mercado como muitos outros, mas a sua maior especificidade é a localização: precisamente no centro histórico, onde passam milhares de turistas, que se regalam a observar todo aquele quadro vivo: assistem à burguesia que vive no centro histórico de Roma a abastecer-se, e às personagens romanas que gritam a pulmões abertos o preço do tomate, da abóbara ou da melancia, parecendo uma cena acabada de sair de um qualquer filme antigo romano, com a diferença que é a cores, aliás a muitas cores...





*substantivo singular, feminino: feira ou mercado que se fazia, entre os Romanos, de nove em nove dias.

publicado por Branca às 15:45
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8 comentários:
De pitas a 20 de Julho de 2007 às 16:59
Também adoro mercados! Gosto de lá ir ás compras!
Uma cidade não fica bem "vista" se não se visitar pelo menos um mercado, não achas?
O que mais gostei de visitar até hoje foi um em Bruxelas no bairro de St. Gilles, todos os sábados de manhã. É um mercado ao ar livre e so as bancas de especiarias são uma tela cheia de cores, cheiros e sabores...
De panamá a 20 de Julho de 2007 às 18:17
É, de facto, o mais delicioso exemplo de mercado. É delicioso esse campo das flores, é delicioso vivê-lo, é delicioso lê-lo...tão bem como tu o escreveste! Obrigada, minha linda! Grazie!
De Duarte a 20 de Julho de 2007 às 18:18
Oba oba!
De panamá a 20 de Julho de 2007 às 18:21
:)é uma jóia, esta branquinha! Faz-nos mesmo reviver, não achas, duartinho? beijocas aos dois!
De Anónimo a 20 de Julho de 2007 às 19:17
Aqui na Alemanha os mercados sao sempre na praca central da cidade que se chama, invariavelmente, Marktplatz, ou praca do mercado. O mercado básico tem fruta e legumes de produtores locais, uma carrinha a vender queijos e chouricos e uma florista. Muitas vezes tem uma banca de produtos biológicos com ar podre... Mas o que interessa é que o mercado é o centro da vila.

Falta a Portugal, viver nos centros das vilas.
De Branca a 23 de Julho de 2007 às 10:30
Absolutamente de acordo. Amiga Leo, Tomar é que teve azar, tem um assassino de cidades a governá-la. Resultado: no lugar do mercado quer fazer um FORUM COMERCIAL (SHOPPING E CINEMAS) e mandar o mercado para um sítio bem longe da vista! Saía mais barato e mais eficaz pagar um interrail à criatura para ir conhecer o que se faz de bom lá fora...
De Anónimo a 23 de Julho de 2007 às 15:13
Ele constrói centros comerciais.
As pessoas continuam a elegê-lo!
= As pessoas gostam de centros comerciais.

Nao será que sao precisas mais do que uma geracao para que a relacao com o consumo se normalize? Nao é compreensível que pessoas a cujos pais se pediu para serem dignamente pobres se deslumbrem com tanta coisa que podem COMPRAR?
Digam-me, sociólogos...

leo
De Branca a 23 de Julho de 2007 às 16:25
A verdade é essa. Dói. Estamos atrasados... no tempo...

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